Weather for the Following Location: Botucatu map, Brazil

Notícia

Pesquisadores descrevem risco fatal da carambola a pacientes renais

Publicado em 20 de Outubro de 2025 07:04

O que começou com um caso clínico incomum no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HCFMB), no interior de São Paulo, em 1990, se transformou em um marco na nefrologia mundial: o alerta sobre a toxicidade da carambola (Averrhoa carambola) para pacientes com insuficiência renal crônica (IRC). A descoberta, pioneira e inteiramente brasileira, culminaria anos depois na identificação da neurotoxina presente no fruto.

O estopim para a investigação foi o paciente H., um homem negro de Botucatu, adulto jovem e com IRC, que deu entrada no HCFMB em 1990 com um quadro alarmante de soluço persistente e intratável, acompanhado de vômito e desidratação severa. Após a surpresa de uma perda de peso atípica em renais crônicos, o então médico residente Luis Cuadrado Martin ouviu do próprio paciente a pista fundamental: “Foi a carambola, doutor”, referindo-se às três frutas que havia ingerido horas antes dos sintomas. A recuperação de H. veio após uma sessão regular de hemodiálise.

O caso isolado ganhou peso de achado científico meses depois, em agosto do mesmo ano, quando um paciente chegou ao programa de diálise com uma canastra de carambolas. Apesar do alerta de H., 10 dos 18 pacientes renais comeram a fruta. O resultado foi dramático: oito deles desenvolveram soluços nas primeiras 12 horas. Crucialmente, os dois pacientes que comeram a fruta antes da hemodiálise – que limpa o sangue – não manifestaram sintomas, assim como os membros da equipe de saúde que também a ingeriram.

Essa observação informal, ocorrida há 35 anos, levou os médicos da então Unesp a concluírem que a carambola continha uma “substância de excreção renal e dialisável” capaz de provocar a reação neurológica. O artigo, intitulado “Soluço intratável desencadeado por ingestão de carambola (Averrhoa carambola) em portadores de insuficiência renal crônica”, foi a primeira descrição clínica do fenômeno e foi publicado em 1993 no Jornal Brasileiro de Nefrologia, assinado por Luis Cuadrado Martin, Jacqueline Caramori, Pasqual Barretti e Vitor Augusto Soares.


 COMENTÁRIOS