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Notícia

HIV e envelhecimento: menos medicamentos podem significar mais saúde e qualidade de vida

Publicado em 12 de Dezembro de 2025 07:08

O mês de dezembro é dedicado a promover a conscientização quanto ao risco representado pela epidemia de aids, doença que afeta globalmente mais de 40 milhões de pessoas. No Brasil e no mundo, é possível constatar que muitos indivíduos infectados com o HIV (o vírus causador da aids) têm conseguido preservar sua saúde e alcançar idades mais maduras, e é necessário que o tratamento acompanhe essas mudanças.

Os medicamentos antirretrovirais, introduzidos a partir de 1996 pelo Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, asseguraram a longevidade da primeira geração de pessoas vivendo com HIV . O resultado é que os indivíduos que estão envelhecendo se veem diante de novos desafios para o cuidado com a saúde. 

Um estudo conduzido por pesquisadores da Unesp, em parceria com o Center for Global Health, da Georgetown University, nos Estados Unidos, mostrou que pessoas com 50 anos ou mais com HIV têm alcançado melhores resultados clínicos e qualidade de vida quando tratadas com regimes simplificados de terapia antirretroviral (TARV). Os resultados da pesquisa serão publicados na revista científica Brazilian Journal of Medical and Biological Research.

A pesquisa analisou 1.018 pacientes atendidos no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2020 e 2023. O grupo com idade mais avançada, de 50 anos ou mais, representou 56,6% da amostra total, enquanto os mais jovens (18 a 49 anos), 43,4%. De acordo com os resultados do estudo, praticamente 90% do grupo 50+ apresentaram carga viral indetectável, frente a 83,3% dos mais jovens, e uma taxa de falha virológica (quando o vírus volta a se multiplicar no sangue) quatro vezes menor (2,5% vs. 10,1%).

Os 50+ também mostraram melhor recuperação imunológica, medida pela contagem de linfócitos T CD4, células essenciais para a defesa do organismo e alvos diretos do HIV. Apenas 7% dos pacientes acima de 50 anos tinham menos de 350 células/mm³, contra 13,3% dos mais jovens, indicando resposta imunológica mais robusta e menor vulnerabilidade a infecções. “A variável que mais se associou a esses resultados foi, justamente, o regime simplificado de medicação”, comentaram os autores em reportagem no site Agencia aids.com.br.

Os dados utilizados pelo estudo foram obtidos no Serviço de Atendimento Especializado em Infectologia Domingos Alves Meira (SAEI-DAM), da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB), um centro de referência que acompanha há mais de duas décadas pessoas vivendo com HIV.

De acordo com o infectologista Alexandre Naime Barbosa, coordenador da pesquisa, é o primeiro serviço do país onde a maioria dos pacientes tem mais de 50 anos. “O vírus HIV, antes associado a pessoas jovens, tornou-se uma condição crônica que exige um olhar geriátrico. 

O envelhecimento da epidemia já altera o perfil dos atendimentos: as pessoas fazem acompanhamento há muitos anos, mantêm adesão ao tratamento e convivem com outras doenças associadas à idade, como hipertensão, diabetes e aterosclerose, que surgem mais cedo devido a um estado de inflamação crônica provocado pela infecção, mesmo controlada”, diz Naime. Ele é professor da Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp) e chefia o Departamento de Infectologia, e também é coordenador científico da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) e médico de referência em genotipagem do HIV do Ministério da Saúde.

(Da Agencia Aids)


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