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Pesquisadores registram pela primeira vez espécie rara de batatas-doces nativa do Cerrado
Publicado em 11 de Novembro de 2025 07:13
Uma equipe de pesquisadores do Instituto de Biociências de Botucatu (IBB/Unesp) registrou pela primeira vez a ocorrência da espécie Convolvulus hasslerianus — uma batata-doce nativa do Cerrado — na Floresta Estadual de Botucatu (FEB), unidade de conservação localizada a apenas 14 quilômetros do centro urbano da cidade. O achado amplia a distribuição conhecida da planta e reforça a importância dos estudos florísticos em fragmentos de Cerrado próximos a áreas urbanas.
O trabalho foi publicado no periódico científico internacional Phytotaxa (vol. 725, n. 2, 2025) sob o título “Expanding the known range of Convolvulus hasslerianus (Convolvulaceae) in the Brazilian Cerrado: new record, nomenclatural notes, and conservation assessment”. O artigo é assinado por Thiago Cobra e Monteiro, Gildean Macedo Nascimento, Renan Pavan Campos, Heloisa Maluf Ribeiro Melo, Beatriz Barcelos Costa Lira e Beatriz Cassiano Radovich, todos vinculados à Unesp Botucatu, além de Annelise Frazão (UFPE) e Ana Paula Fortuna-Perez (Unesp e Royal Botanic Gardens, Kew, Reino Unido)
O estudo confirma duas ocorrências da espécie em território paulista: uma em Botucatu, coletada pelos autores em 2023 na Floresta Estadual de Botucatu (FEB), e outra em Itapetininga, datada de 1946, que permaneceu por décadas sem identificação correta em um herbário do Rio de Janeiro. A redescoberta da planta, portanto, ocorre quase 80 anos após o último registro no Estado.
A pesquisa avaliou ainda o estado de conservação da espécie, considerando seu histórico de registros esparsos e a degradação dos ambientes naturais onde ocorre. O levantamento indica que C. hasslerianus deve ser classificada como ameaçada de extinção (categoria “Em Perigo” segundo os critérios da IUCN), com área de ocupação reduzida e forte pressão antrópica sobre seus habitats.
A descoberta em Botucatu aumenta em quase 69 mil quilômetros quadrados a área conhecida de distribuição da espécie e reforça a necessidade de novas expedições científicas em fragmentos do Cerrado paulista — um dos biomas mais ameaçados do país, com menos de 7% de cobertura nativa em áreas protegidas


