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Notícia

Secas podem reduzir valor calórico do néctar das flores em até 95%, aponta estudo

Publicado em 12 de Julho de 2025 07:22

Estudo apoiado pela FAPESP aponta que as secas podem levar a uma redução de 95% do valor calórico potencial do néctar das flores, o que prejudica tanto polinizadores, como as abelhas, quanto as plantas que dependem de polinização cruzada para se reproduzir e frutificar, caso da abobrinha (Cucurbita pepo).

Num cenário menos drástico, de redução de chuvas em 30%, a queda observada foi de 34%. Os resultados foram publicados na revista Scientific Reports.

A gravidade da ameaça de escassez severa de água foi ressaltada por relatório divulgado ontem (02/07) pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD, na sigla em inglês), segundo o qual tanto regiões vulneráveis quanto desenvolvidas de todo o mundo foram atingidas por secas recordes nos dois últimos anos.

“Os padrões climáticos globais em 2023 e 2024 consolidaram um cenário de impactos rigorosos de secas em todo o mundo, que persiste em 2025”, alerta o texto de apresentação do documento.

Segundo Elza Guimarães, professora do Instituto de Biociências de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (IBB-Unesp) e coordenadora da pesquisa publicada na Scientific Reports, a redução de açúcares no néctar como efeito de secas, no pior cenário avaliado, foi de 1,3 mil quilos para 71 quilos por hectare, ou seja, mais de uma tonelada. “Sem néctar para consumir, as abelhas vão embora, as plantas não se reproduzem e os agricultores perdem a produção”, resume.

Guimarães é vinculada ao Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças do Clima (CBioClima), um Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (CEPID) da FAPESP sediado no Instituto de Biociências da Unesp, em Rio Claro.

Seu trabalho mostrou ainda que um acréscimo na pluviosidade teve um efeito positivo no aumento de calorias do néctar em 74%. Os pesquisadores, porém, também ressalvam os problemas decorrentes de mais eventos de precipitação intensa num contexto ecológico mais amplo. “Uma alta frequência e intensidade de chuvas pode ter consequências devastadoras para as plantas, visitantes das flores como aves e insetos e para a própria manutenção das interações entre plantas e polinizadores”, afirma Maria Luisa Frigero, primeira autora do trabalho, realizado durante seu mestrado no IBB-Unesp.

(da Fapesp e UOL)


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